| (06/05/2010)
O escritor mo�ambicano Mia Couto defendeu hoje a equipara��o das l�nguas mo�ambicanas com o portugu�s, por eventual risco de os idiomas de Mo�ambique desaparecerem devido � suposta redu��o de falantes.
"H� l�nguas mo�ambicanas que correm o risco de desaparecer. H� escolas que continuam a proibir os estudantes de se exprimirem nas suas pr�prias l�nguas dentro do recinto escolar", disse Mia Couto, durante um encontro, em Maputo, sobre o Dia da L�ngua e Cultura da Comunidade dos Pa�ses de L�ngua Portuguesa (CPLP), que se assinalou quarta-feira, 5.
Mia Couto, o escritor mo�ambicano que mais vende e com mais livros traduzidos no mundo, lan�ou "Recados para dentro de Mo�ambique: nacionalizar todas as l�nguas nacionais", um "desafio" que, disse, visa "criar diversidade, sem hegemonia", entre o portugu�s e as 28 l�nguas mo�ambicanas.
O escritor considera ainda que a "valoriza��o da l�ngua portuguesa n�o pode ser constru�da �s expensas do rico patrim�nio lingu�stico de Mo�ambique", da� que "o desafio � criar diversidade, sem hegemonia". "Mas n�o creio que nos aproximemos dessa meta", frisou.
Contrariado com a introdu��o do novo acordo ortogr�fico do portugu�s, Mia Couto considera que a ideia da mudan�a da grafia resulta de "solu��es folcl�ricas" e exortou a "uma certa vigil�ncia".
"O que trago como sugest�o, nesta mat�ria, � um apelo para uma certa vigil�ncia. Tenhamos cautela com as solu��es folcl�ricas, que parecerem inovadoras, mas que s�o apenas c�pia do que fazem os vizinhos", disse Mia Couto.
A prop�sito do novo acordo ortogr�fico, o professor Louren�o do Ros�rio, reitor da Universidade Polit�cnica de Mo�ambique, destacou o "olhar desconfiado dos africanos" em rela��o �s altera��es da grafia portuguesa.
"Tendo sido o acordo ortogr�fico ou o processo de elabora��o deste uma das primeiras iniciativas de reflex�o comum sobre a l�ngua, fica patente o olhar desconfiado dos africanos, sobretudo de Angola e Mo�ambique, quer do ponto de vista cient�fico, quer do ponto de vista pol�tico, cujas sequelas persistem at� hoje, embora com menor intensidade", considerou. |
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